Ontem ela se esqueceu do mundo.

23 dez

O relógio da igreja batia meia-noite e ela nem se importava, pois a festa mal havia começado. Os amigos estavam espalhados pelo clube, restando apenas um ao seu lado. A batida frenética da música eletrônica fazia-a mexer o corpo, mas não o suficiente para dançar; ela sempre teve vergonha de dançar.

Aos poucos, com a ajuda da bebida, ela se soltou e colocou-se a dançar com seus outros amigos, ou até com ninguém. A música eletrônica mudou para funk e, mesmo não gostando desse estilo, continuou na pista.

Com mais bebida e mais dança, logo ela se esqueceu de si mesma. Esqueceu-se de quem era, esqueceu-se do passado. Esqueceu-se de que deveria dosar a bebida. Esqueceu-se de que o amanhã ainda existiria, esqueceu-se de que iria lembrar.

Tuntz Tuntz Tuntz

Um garoto aparentando ter lá seus dezoito anos aproximou-se da garota e ela não o afastou. Deixou-o sussurrar em seu ouvido, deixou-o chegar mais e mais perto; mais uma vez, ela se esqueceu. Esqueceu-se de que nem tinha visto o rosto daquele cara. Esqueceu-se de que aquilo não era para sempre, esqueceu-se de que não o amava. Aproveitou da noite o melhor que podia e voltou para casa com um sorriso no rosto.

No dia seguinte, acordou, ligou para um amigo e, após desligar o telefone, andou até a cozinha. Estava radiante, nada podia acabar com sua felicidade…

Mas então ela lembrou.

Esqueci que nem tinha visto o rosto daquele cara.
Esqueci que não era pra sempre,
Esqueci que não o amava.
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11 Respostas to “Ontem ela se esqueceu do mundo.”

  1. Eunice 23/12/2010 às 1:26 #

    Amei e você sabe disso, mas não poderia deixar de comentar de forma alguma. Adoro a forma que você consegue expressar as emoções da personagem. Incrível!

  2. sheisaqueen 24/12/2010 às 0:26 #

    Me lembrou a música Trapézio, da minha diva Pitty: “Ontem eu era leve faceira, hoje eu nem me lembro das besteiras…E às vezes melhor nem lembrar”

    Como sempre, texto maravilhoso, Rina querida!
    Beijinho

  3. Danda Jabur 24/12/2010 às 1:35 #

    Nossa, me chame do que quiser, mas me envolvi totalmente no texto. O vi acontecendo em minha mente, como se eu mesma fosse a garota ou um de seus amigos; e ao final do conto meus olhos estavam cheios de lágrimas.

    Me senti horrivel por ela, que por uma noite pode ser feliz sem pensar no amanhã, e então ‘voltou ao mundo real’ onde ela não era totalmente feliz, e tinha que viver com suas magoas, problemas e decepções.

    Eu sei que meu comentário não está lá essas coisas, mas queria acrescentar que é ótimo voltar a ler um trabalho seu, acho que estou com saudades disso.

    E até de comentar, sabe? Faz tempo que deixei essa vida. ;D

  4. Nah Destro 24/12/2010 às 6:45 #

    [s]meu presente de Natal, OEOE[/s]

    ADORO o seu jeito de descrever situações, realmente adoro! É uma leitura fácil, gostosa, que dá vontade de reler…

    A Gii falou tudo, adoro Trapézio da Pitty *-*
    São as poucas chances que temos de sermos (talvez) completamente leves e felizes sem ligarmos para as consequências, ainda que elas venham de qualquer jeito (às vezes tão tensas que nos perguntamos se valeu o momento de prazer)…

  5. Daniel 06/01/2011 às 6:34 #

    Seu texto me despertou a triste lembrança de que há um tempo atrás eu tentava e re-tentava redigir uma cena de uma festa em que som e bebida se misturam provocando esse efeito que você soube fazer tão bem. Fui frustrado e meio que desisti ou adiei.

    Gosto dos seus textos, do seu avanço, da sua sede, do seu procedimento, do seu estilo. Continuo querendo mais contos (especificamente) seus. Talvez uns levemente maiores =p

    O seu texto envolve, a gente logo cai dentro do turbilhão e segue no ritmo da sua pena, porém, é outra pena que acabe tão rápido. Acho que se você começar a prolongar essas sensações em linhas, em devaneio, em fluxo de consciência, monólogos, seja lá o que for, só tem a aperfeiçoar essa hipnose que exerce sobre os leitores.

  6. Mateus 09/01/2011 às 0:26 #

    Deu um sentimento de vazio tão grande quando li “Mas então ela lembrou”

    ainda to triste pela garota. Não sei o que dizer, apenas que ficou muito lindo.

  7. Larissa França 10/01/2011 às 6:43 #

    Gostei muito,Mari.

    Sabe, você tem talento. Soube fazer tão bem esse conto que não foram necessários muitos detalhes nem outros capítulos anteriores. Em algumas poucas linhas você traduziu exatamente como era a personagem de forma que todos interpretaram corretamente a mensagem que você quis passar.

    Faço minhas as palavras de Dan: você precisa prolongar essas histórias. Sei que dá muito trabalho, que exige muito, que inspiração não brota em árvore, mas, você tem que aperfeiçoar melhor esse seu talento.

    Amo-te minha pervinha. #xuxafeelings

  8. Gabriel Amaral 12/03/2011 às 2:14 #

    Concordo com a Larissa. Esse texto tinha bastante potencial pra tomar um pouco mais de espaço… Mas vc retratou tao bem a situaçao da musica, da bebida, do fato da personagem se deixar levar… que eu te perdoo, HAHA.

    Gostei mesmo.

  9. Letícia Andrade (Lily) 21/03/2011 às 22:18 #

    “Mas então ela lembrou”

    Pra mim o ponto mais foda do texto foi esse, ponto.

    E quantos natais assim a gente também já não viveu?

  10. sofia muito linda 18/05/2011 às 14:33 #

    Marina do céu, você escreve tão bem cara….serio, não sei o que falar, mas você tá de parabens *–* Ficou tão own

  11. George Adorno 08/06/2011 às 0:41 #

    Marinarinaaa! Que intrigantee! Pode me contar o que ela fez que não queria lembrar! Aaah, curiosidade matando… D:

    Quando é mesmo que vai ser a cerimônia de autógrafos?? *————————*

    =D

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